Soja eficiente e maior valor com novas tecnologias, aponta debate promovido pela Sociedade Rural do Paraná
Circuito SRP reuniu nesta quarta-feira, 19, produtores, pesquisadores, empresas e lideranças para discutir inovação, produtividade e novas oportunidades para a cadeia da soja
Mais eficiência dentro da porteira, tecnologias aplicadas ao manejo, novas formas de processamento e produtos capazes de atender mercados específicos estão entre os caminhos apontados para a evolução da cadeia da soja. Essas tendências estiveram no centro da segunda edição do Circuito SRP, realizada nesta quarta-feira (19), pela Sociedade Rural do Paraná, com o tema “Soja em Evolução: Da Biologia do Solo às Novas Demandas Globais”. O evento ocorreu no Parque Ney Braga, em Londrina (PR) com apoio da Fundação Araucária e Separtec.
Ao longo da manhã, produtores, pesquisadores, empresas, especialistas e lideranças do setor discutiram como a soja brasileira pode avançar em um cenário de margens mais estreitas, mudanças no comportamento dos mercados e crescente demanda por eficiência, sustentabilidade, rastreabilidade e diferenciação. Além de apresentar tendências, o encontro colocou em evidência tecnologias e soluções que já começam a transformar diferentes etapas da cadeia.
“Eficiência começa dentro da porteira”
A evolução da soja passa, antes de tudo, pela capacidade de produzir melhor. Presidente da Aprosoja Paraná, João Batista Cunha Júnior destacou que, diante de um cenário de maior pressão sobre as margens, gestão e inovação precisam fazer parte da estratégia das propriedades.
A discussão envolveu desde genética e biotecnologia até agricultura de precisão e produtos biológicos, reforçando que o ganho de produtividade precisa estar associado ao uso mais eficiente dos recursos e à tomada de decisão dentro da propriedade.
“Então o que nós temos que fazer da porteira para dentro é o trabalho de gestão, é o trabalho de inovação, é o trabalho de evolução e a Sociedade Rural vem ao encontro disto. Isso é muito importante”, afirmou.
O presente da Soja
A relação entre tecnologia e eficiência também esteve presente no painel “O Presente da Soja: Biologia do Solo, Biológicos e Rentabilidade”, que reuniu Andressa Cazetta, gerente de Portfólio e Desenvolvimento de Mercado da Inquima; Galdino Andrade, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e membro da CTNBio; e Divino Júnior, gerente de contas da Mosaic, com mediação de Tatiana Fiuza.
Entre os pontos discutidos estiveram o avanço dos insumos biológicos, a importância da microbiologia do solo, a qualidade e a correta aplicação das tecnologias e a necessidade de capacitação técnica para que novas soluções sejam incorporadas de acordo com a realidade de cada propriedade.
Tecnologia aplicada para extrair mais potencial da lavoura
O Circuito também apresentou soluções tecnológicas voltadas diretamente ao desempenho das plantas. Edilson Lopes, fundador da QBN Tecnologia, mostrou aplicações da nanotecnologia para ampliar a eficiência fotossintética e melhorar o aproveitamento de insumos, relacionando precisão, produtividade e geração de valor.
Já João Barboza, CEO e fundador da Dioxd, apresentou uma tecnologia de tratamento de sementes baseada na alteração da composição de gases, com o objetivo de preservar o vigor e favorecer o metabolismo das sementes, contribuindo para a expressão do potencial genético dos materiais no campo.
Para Barboza, um dos diferenciais do encontro foi justamente aproximar agentes que nem sempre estão no mesmo ambiente.
“A gente colocou na mesma sala academia, institutos de pesquisa, como uma Embrapa Soja, empresas de tecnologia e o produtor rural. Então a gente colocou todos os players no mesmo ambiente, e isso enriqueceu muito o evento, enriqueceu os diálogos.”
O próximo passo: transformar a soja em produtos de maior valor
Se dentro da porteira o desafio é produzir com mais eficiência, fora dela está a oportunidade de ampliar o valor gerado pela cadeia. Essa foi uma das discussões apresentadas por Julia Vieira, Production Planning Control Manager da ADM, que mostrou diferentes aplicações industriais da soja e destacou o potencial de ampliar o processamento do grão no Brasil.
Proteínas de soja, alimentos processados, biocombustíveis e novas aplicações de base biológica estiveram entre os exemplos apresentados. A discussão também abordou tendências como rastreabilidade, sustentabilidade e diferenciação de matérias-primas para atender mercados específicos.
O tema ganhou uma perspectiva ainda mais concreta no encerramento da programação, com a palestra do chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno. Ele apresentou a soja com alto teor oleico como uma possibilidade de agregação de valor à cadeia, destacando o desenvolvimento de novas cultivares, o uso de ferramentas como a edição gênica e o potencial de um óleo com características diferenciadas para os mercados de alimentos, biocombustíveis e outras aplicações industriais.
A discussão apontou para uma mudança de perspectiva: além de ampliar a produtividade, a cadeia da soja pode avançar na diferenciação de seus produtos e na conquista de novos mercados, acompanhando transformações na demanda global.
Conexão entre quem produz, pesquisa e transforma
Ao reunir produtores, academia, pesquisa, empresas de tecnologia, indústria e lideranças do setor, o Circuito SRP reforçou a importância da conexão entre os diferentes elos da cadeia para transformar conhecimento e inovação em soluções aplicáveis ao campo e em novas oportunidades de mercado.
A segunda edição do Circuito dá continuidade à proposta da Sociedade Rural do Paraná de promover encontros voltados a temas estratégicos do agronegócio, aproximando quem produz de quem pesquisa, desenvolve tecnologias, transforma e abre novos mercados.
“A inovação só faz sentido quando consegue chegar à realidade do produtor e contribuir para que ele produza melhor, com mais eficiência e sustentabilidade. É por isso que a Sociedade Rural do Paraná busca criar espaços de conexão entre quem está no campo, quem pesquisa, quem desenvolve tecnologia e quem transforma essas soluções em oportunidades. O Circuito SRP nasce com esse propósito: aproximar conhecimento e inovação das decisões que ajudam a construir o futuro do agronegócio”, reforça Geronimo de Mendonça Araújo, diretor de Fomento e Inovação da SRP.